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PDR2020-8.1.4-FEADER-019224

Uma das principais características dos habitats florestais de sobreiro e azinheira é o facto de conterem uma elevada variedade de seres vivos, que desempenham funções específicas na dinâmica dos povoamentos e do meio envolvente. No entanto, certos organismos podem
tornar-se nocivos aos povoamentos caso atinjam efetivos populacionais elevados podendo provocar perdas económicas e ecológicas.
Segundo estudos realizados, nas últimas décadas verificou-se um acentuado decréscimo no vigor vegetativo dos sobreiros e azinheiras provocado pelo chamado "declínio dos montados". Este problema tem tido como consequência uma diminuição quer da qualidade, quer da quantidade de cortiça extraída. Em relação ao declínio do sobreiro e da azinheira este pode ser identificado quando as árvores apresentam alteração da cor das folhas, queda anormal de folhagem, rebentos mais curtos e folhas mais pequenas, exsudações no tronco, morte da extremidade dos ramos, que consiste numa quebra progressiva do vigor vegetativo, que se pode prolongar por vários
anos, ou simplesmente provocando morte súbita da árvore. O problema do declínio das quercíneas está normalmente associado a diversos fatores tais como: alterações climáticas, má gestão dos sobreirais, introdução de máquinas agrícolas pesadas que debilitam o sistema radicular; falta de água; e principalmente a ação parasitária de insetos nocivos e a influência de um oomicete de solo - Phytophthora cinnamomi - patogénico que afeta o sistema radicular do sobreiro. De acordo com o manual técnico publicado pela ex-Direcção Geral dos Recursos Florestais “Identificação de Pragas e Doenças em Povoamentos Florestais” o agente patogénico Phytophthora cinnamomi apresenta uma classe de agressividade bastante elevada, provocando a morte do hospedeiro, quer seja em sobreiros adultos ou jovens. Relativamente ao cálculo do grau de perigosidade, e segundo o mesmo manual, este enquadra-se numa
classe muito perigosa, pois os valores de intensidade de ataque e classe de agressividade do agente patogénico apresentam-se muito elevados. Além do patogénico atrás referido, os sobreirais e azinhais sofrem ainda de ataques de diversos outros organismos patogénicos. Entre estes, pela sua elevada severidade e grau de dispersão verificado, deve ser dada particular atenção ao Platypus cylindrus. Trata-se de um coleóptero decompositor de madeira morta ou de árvores em adiantada fase de degradação, que era considerado, até há duas décadas, como não tendo um impacto negativo significativo nos sobreiros. As condições favoráveis ao seu desenvolvimento nomeadamente árvores em stress – têm vindo a torná-lo um risco acrescido para o sobreiral. O plátipo ataca árvores de todas as idades, levando-as à morte poucos meses depois da penetração dos insetos no lenho. Este inseto perfura a cortiça, não para se alimentar, mas para aí cultivar os fungos dos quais as larvas se vão alimentar. A área de intervenção da presente candidatura apresenta um significativo grau de 'declínio' o que provocou uma redução superior a 20 % da capacidade produtiva do mesmo, decorrente da seca e morte de um número significativo de exemplares de árvores adultas, que se encontravam em plena produção, assim como do enfraquecimento das restantes e consequente quebra na produção.

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